Formar, desenvolver e reter o desafio da capacitação em engenharia

A indústria brasileira está passando por um momento onde sobram projetos, faltam profissionais prontos para atuar em operações complexas, especialmente em engenharia, manutenção e logística. Ao mesmo tempo, cresce a pressão por segurança, produtividade e uso intensivo de tecnologia em setores como óleo e gás, energia e mineração.

Como citamos em outros artigos aqui do Mundo Infotec, o país precisará qualificar 14 milhões de trabalhadores em ocupações industriais até 2027, sendo 2,2 milhões em formação inicial e 11,8 milhões em atualização profissional. Em outras palavras:

O Gargalo de Mão de Obra

O tamanho do desafio: menos engenheiros, mais complexidade

A demanda por profissionais técnicos e de engenharia cresce justamente quando a formação caminha na direção oposta. Além da projeção de 14 milhões de trabalhadores que precisarão de qualificação e requalificação até 2027, a engenharia perdeu atratividade na última década.

Dados do Censo da Educação Superior, do MEC/INEP, mostram que, em dez anos, o total de calouros em cursos de engenharia no Brasil caiu cerca de 23%, passando de 469,4 mil ingressantes em 2014 para 358,4 mil em 2023, último ano com dados disponíveis. Também há estudos novos (como o 15º Mapa do Ensino Superior e relatórios Fapesp) mostrando tendência de queda e aumento do EAD em 2024.

A Confederação Nacional da Indústria também aponta que novas vagas se concentram justamente em áreas como logística, construção, operação industrial, manutenção e reparação que são segmentos que exigem maior densidade técnica e maturidade de segurança.

O mercado está recebendo mais investimento, mais projetos e o país tem menos gente preparada para executá-los.

Gisele Damato

“Temos ofertas, mas a gente não tem mão de obra qualificada. As universidades trazem uma formação mais generalista; o mercado precisa de gente com cursos específicos e maturidade para atuar em ambientes de risco.”

Além da técnica, o fator comportamental em ambientes de risco é extremamente relevante

Em operações embarcadas, plantas industriais, áreas de processo contínuo e ambientes confinados, o diploma é apenas o ponto de partida. O que sustenta a segurança e a continuidade operacional é o conjunto de competências comportamentais, a capacidade de trabalhar sob pressão, respeitar procedimentos e tomar decisões responsáveis no dia a dia.

O maior desafio não está apenas na falta de habilidade técnica e sim o comportamental. Em plataformas ou operações remotas, isso significa lidar com confinamento por 15 dias, administrar conflitos, suportar a distância da família e, ainda assim, manter foco absoluto em segurança e cumprimento das normas.

Não por acaso, uma parte relevante dos desligamentos na indústria acontece por questões comportamentais, e não por falhas técnicas.

“A formação superior foca a maior parte da grade curricular em ferramentas e tecnologias e acaba desfocando dos soft skills. O recado é claro: sem cultura forte, liderança preparada e desenvolvimento de competências humanas, não há ganho de produtividade sustentável.” , resume Gisele.

Infotec Brasil: uma máquina de recrutamento, formação e mobilização de times

É nesse contexto que a Infotec Brasil se posiciona como parceira estratégica para empresas que precisam executar projetos complexos em engenharia, manutenção e logística sem abrir mão de segurança, performance e compliance.

Hoje, contamos com um time de mais de 4.000 colaboradores, com mais de 1.000 engenheiros, projetistas e técnicos em campo, atuando em operações de alta complexidade em todo o Brasil. Essa escala torna a empresa uma verdadeira máquina de recrutamento, qualificação e mobilização de times, com processos maduros para atrair, desenvolver e reter talentos em ambientes críticos.

De um lado, ela convive com a realidade de alta demanda: são dezenas de oportunidades abertas em posições como técnico de manutenção elétrica e mecânica, inspetor de solda, projetista de tubulação, engenheiro de planejamento, técnico de segurança do trabalho e analista de logística offshore. De outro, mantém uma estratégia consistente de desenvolvimento contínuo para sustentar essa base técnica ao longo do tempo.

Mais de 1000 Engenheiros em Campo

Academia Infotec: formação contínua em técnica, segurança e soft skills

Para enfrentar o déficit de mão de obra qualificada de forma estruturada, a Infotec Brasil criou a Academia Infotec, um programa de qualificação técnica e comportamental voltado a seus quase 4.000 colaboradores em todo o país.

O processo de desenvolvimento é uma jornada de formação contínua, com treinamentos constantes. Os conteúdos combinam três dimensões fundamentais para os segmentos de engenharia, manutenção e logística:

Hard skills
Treinamentos técnicos, normas regulatórias, procedimentos de manutenção, operação segura de equipamentos, metodologias de PCM e gestão de ativos.

Soft Skills
Comunicação, trabalho em equipe, gestão de conflitos, tomada de decisão, mentalidade de aprendizado contínuo, inteligência emocional para ambientes de risco.

Segurança e Compliance
Foco em normas regulamentadoras (NRs) consideradas impeditivas da operação, práticas de HSE e cultura de segurança nas frentes de trabalho.

Grande parte da trilha é oferecida em formato online, permitindo que profissionais em campo tenham acesso à capacitação sem comprometer a rotina operacional. Paralelamente, há uma trilha específica para líderes, preparada para apoiar quem está na linha de frente das equipes em campo.

Precisamos de líderes muito preparados para acompanhar as equipes em campo”, reforça Gisele. “Eles são o elo entre a estratégia da empresa, a segurança da operação e a experiência das pessoas.

IA, senso crítico e o novo perfil da mão de obra em engenharia

A transformação digital também reposiciona as competências esperadas de técnicos e engenheiros. Ferramentas de Inteligência Artificial, automação, sensores e sistemas de controle avançado já fazem parte do cotidiano das operações industriais.

A IA mudou o jogo e está exigindo que as pessoas aprendam a fazer perguntas. Se antes a vantagem competitiva estava apenas em dominar ferramentas específicas, agora ela depende da capacidade de formular boas perguntas, interpretar dados, tomar decisões e integrar tecnologia à rotina com responsabilidade. Profissionais sem esse tipo de qualificação terão Ferraris em mãos sem ter carteira de motorista.

É preciso treinar as pessoas para usar a ferramenta. Escolas e empresas precisam antecipar o desenvolvimento dessas competências, naturalizando o uso de IA como apoio à rotina profissional.

Infotec Brasil: Inovação a serviço das pessoas

A Infotec Brasil existe para conectar pessoas, processos e inovação, impulsionando negócios nas áreas de engenharia, manutenção e logística. Somos feitos de gente altamente qualificada que entrega serviços gerenciados unindo segurança, inovação, alianças estratégicas, sustentabilidade, valor humano e integridade.

A GHIA representa essa filosofia na prática sendo uma tecnologia desenvolvida para valorizar e potencializar o capital humano, não para substituí-lo. Ao automatizar processos operacionais, a plataforma libera as equipes para focar no que realmente importa: análise crítica, relacionamento, estratégia e desenvolvimento de talentos.

3 caminhos para reduzir o gap de mão de obra

Diante de um desafio estrutural, nenhuma empresa consegue a questão “resolver sozinha”. A saída é construir um ecossistema de formação junto a escolas técnicas, universidades e parceiros, aproximando o que se aprende do que a operação realmente exige. Na prática, essa aproximação precisa mirar três frentes complementares:

  • Aprofundamento técnico alinhado às demandas reais do campo (normas, certificações e rotinas de alta complexidade).
  • Construção de senso crítico para tomar decisão com segurança, qualidade e responsabilidade, especialmente em ambientes regulados e de risco.
  • Desenvolvimento de soft skills (maturidade comportamental, comunicação, colaboração e resiliência), porque boa parte dos gargalos e desligamentos acontece menos por técnica e mais por comportamento.

Um ponto que costura tudo isso: a dinâmica do mercado exige uma postura contínua de aprender, desaprender e aprender de novo, com liderança preparada para sustentar essa jornada, e não só “treinar quando dá.

A experiência da Infotec Brasil mostra que esse desafio vira vantagem competitiva quando a estratégia do negócio está conectada a uma cultura forte e orientada a pessoas, combinando captação, desenvolvimento e mobilização com consistência.

Em um mercado em que todo mundo disputa os mesmos talentos, vence quem consegue atrair, formar e reter pessoas no mesmo ritmo em que a indústria evolui, como fala Gisele Damato no Infolab Talks.

 

Assista a conversa na íntegra >

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